Café Ferreira - Casa de Pão de Ló de Alfeizerão

Como acontece geralmente com a doçaria portuguesa, o Pão de Ló de Alfeizerão tem origem conventual.

Na sequência da vitória do liberalismo no séc. XIX, as ordens religiosas foram extintas em Portugal e os conventos encerrados. Foi o que aconteceu ao Mosteiro de Alcobaça. O mesmo não se passou com o vizinho Mosteiro de Cós, feminino e igualmente cisterciense, que pode continuar até ao dia em que falecesse a última Monja aí as últimas monjas ocupantes o deixassem espontaneamente como veio acontecer sensivelmente nos finais daquele século.

É tradição familiar que foram acolhidas em Alfeizerão por uma família de apelido Grilo. E é assim que na transição para o séc. XX, Amália Grilo (1858/1928) e a família começaram a fabricar por encomenda ocasional este tipo de Pão de Ló – cedo referido por M. Vieira Natividade (Alcobaça d'outros Tempos, publicado em 1906) como uma das «indústrias tradicionais e caseiras» da região, ao mesmo que assinala a sua presença na Exposição Industrial realizada nesse mesmo ano em Alcobaça.

Na exposição Agrícola Pecuária e Industrial das Caldas da Rainha de 1923, de novo o Pão de Ló Alfeizerão marca presença, tendo Maria Grilo (irmã de Amália Grilo) merecendo uma menção Honrosa pelo seu fabrico para a Pastelaria Primorosa, daquela cidade. Mas a verdadeira e definitiva industrialização do produto inicia-se em 1927, quando é formada uma sociedade comandita com o nome de A.S.Ferreira & CIA. Onde Amália Grilo é sugerida pela sua irmã Maria Grilo (ou Maria Grila Ladeira) onde rejeita devido à sua idade avançada e sugere a sua nora Maria Ferreira recém viúva com três filhos menores do seu filho Alberto Lopes.

Em 1932, escrevendo sobre Alfeizerão no Jornal «Ecos de Alcoa». O professor Elias Cravo refere indústria do afamado Pão de Ló da «Tia Amália».

Em 1947 Maria Ferreira que fabricava o tão afamado Bolo descobre que afinal o apelido “Ferreira” constante na firma, não se referia à sua pessoa e que, pior ainda, não fazia parte da sociedade. Aquilo julgava serem lucros esporadicamente recebidos, era afinal um salário que nunca negociara. Considerando-se ludibriada e lesada deixa a firma e os seus dois sócios no início de 1947 e adquire um velho estabelecimento a uns 50 metros de distância.

Remodelando-o inaugura o seu “Café Ferreira” em abril de 1947. A firma A.S.Ferreira & CIA é encerrada e extinta logo depois em 1947 com o negócio a prosperar começaram a transformações e evoluções ao edifício primitivo que adquiriu em 1947.

Em 1954 constrói a sua segunda casa e mantém as duas em funcionamento até 1964.

Em 1964 Maria Ferreira já com o seu negócio em expansão resolve fazer um edifício maior de raiz e aumenta a clientela e a venda do já afamado Pão de Ló de Alfeizerão.

Na década de 70, Maria Ferreira juntamente com os seus três filhos gerem o “Café Ferreira”.

Em 1980 a Matriarca e Fundadora do “Café Ferreira” morre e ficam os seus filhos na gerência do estabelecimento.

Em 1983 a exploração do estabelecimento passa para a neta mais velha e mãe da atual proprietária do "Café Ferreira", Fátima Isabel Rodrigues.

Em 1997 surge uma constituição de uma sociedade composta pela neta e os bisnetos da Maria Ferreira em que um dos bisnetos é atual proprietária (Fátima Isabel Rodrigues).

Em 2007 sai da sociedade um dos bisnetos ficando assim duas primas à frente do negócio da família.

Em 2013 por motivos de saúde, neta de Maria Ferreira passa a sua conta à sua sócia e prima com a condição de esta manter o nome do estabelecimento “Café Ferreira” fundado pela avó e bisavó das mesmas.

Atualmente bisneta de Maria Ferreira e trisneta de Amália Grilo mantém a promessa que fez à sua prima de não mudar o nome do estabelecimento.

Representa a 5ª Geração do Fabrico do Pão de Ló e querem manter vivo o ex-libris da Vila de Alfeizerão e memória dos seus antepassados.

Rua 25 de Abril, 215
Alfeizerão
2460-162 ALFEIZERÃO

https://www.cafeferreirapaodeloalfeizerao.pt/
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